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O AZAR DA RESPIRAÇÃO

A água te puxa para um mundo onde não existe pressão e nem competitividade, mas ao levantar a cabeça o tempo está correndo e você necessita nadar o mais rápido possível para estar na borda antes dos seus concorrentes.


Por uma respiração mais longa do que o pulmão está pedindo, por estar queimando, você chega um segundo atrasado e perde a tão sonhada medalha, que é mais desejada pela sua treinadora do que por si própria.


A adrenalina de ter competido e não ter uma medalha no pescoço, que foi perdida por um deslize, te faz passar mal e não conseguir pensar em entrar numa piscina com tão pouco tempo que saiu de uma. Porém, a sua próxima prova é em 30 minutos, a prova mais esperada, a do seu nado favorito: peito. O desespero de competir novamente te faz passar mal e, para sua treinadora, isso é nada. Ela apenas diz: “bora nadar e mostrar que veio aqui para ganhar”.


Sua pior prova e a última da vida começa e, entre tontura e náuseas, você precisa nadar 50 metros, não se esquecer de que não pode colocar o pé no chão e também não pode se esquecer de mergulhar e subir com os braços na região do peito. A sua cabeça não para e o cansaço vai chegando aos poucos e vai tomando o seu corpo inteiro, até que a única saída seja colocar o pé no chão para não se afogar.


Ao sair da piscina, você vê que aquele não é lugar para uma criança viver, onde o foco é ganhar, pois quando não se tem um troféu você não é merecedor de orgulho. Crianças deveriam estar em lugares que incentivem o esporte como algo divertido e saudável, não em um local que, com o passar do tempo, a única saída é competir, tornando a vida em apenas treinar para ter um corpo preparado e viver dentro de uma piscina, perdendo momentos de lazer com familiares e amigos.

Natália Aquino

© 2026 por Djane Assunção  

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