O SONHO DO SALTO
Aos oito anos de idade, uma menina um tanto quanto fora do padrão foi convidada a se retirar do balé por estar um pouco acima do peso. O sonho dessa menina era ser ginasta. Devido a esse sonho frustrado, ela se deleitou em conhecer as maiores artistas do seu país.
Ao longo dos anos, de Olimpíadas em Olimpíadas, torcia pelo ouro como se ela mesma estivesse competindo. Assistir aos saltos, acompanhar as danças, ver a torcida gritar sempre enchia seus olhos d’água.
Vez ou outra, a garota se perguntava o que poderia ter acontecido caso um dos seus sonhos mais secretos tivesse se realizado. Enquanto isso, girava pela sala de casa, dava cambalhotas e finalizava seus movimentos sempre com a famosa pose de encerramento. Mas essa garota cresceu.
Em 2024, Sarah começou a acompanhar, talvez pela décima vez, as Olimpíadas, mas agora com uma consciência diferente. Lá estavam elas, as ginastas que desde sempre fizeram seus olhos brilharem. Era uma segunda-feira. O dia começou de uma forma diferente, não era uma segunda qualquer. Era o dia em que Rebeca Andrade tinha a chance de ganhar o ouro.
Em meio ao dia corrido de trabalho, logo pela manhã, surgiu a primeira notícia: ganhamos o ouro. Aquela foto, Rebeca mordendo a medalha, dava a sensação de que quem havia vencido era a própria Sarah.
E assim, Rebeca Andrade se tornou medalhista de ouro em Paris e, indiretamente, sem saber, realizou também o sonho de Sarah.
Sarah Oliveira